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Em 1º de abril, dia da mentira, Maria resolveu “pregar uma peça”

Questão OAB – Direito Penal
Simulado OAB • Direito Penal

Em 1º de abril, dia da mentira, Maria resolveu “pregar uma peça” em Pedro, coveiro no cemitério Paz Eterna. Maria pediu a José que divulgasse nas redes sociais que ela falecera após ter sofrido um infarto. Como parte da encenação, Maria sedou-se e deitou-se em um caixão, que foi lacrado e encaminhado por José, com documentos sofisticadamente falsificados, para a sede do Paz Eterna. Sem ser avisado ou desconfiar da farsa, Pedro ficou muito triste e, após orar pela alma de Maria, cumpriu seu dever profissional, realizando a cremação e guardando as cinzas num pote de vidro, que se quebrou. Sobre o procedimento de Pedro, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A. Pedro incidiu em erro de tipo invencível (ou inevitável), previsto no Art. 20, caput, do Código Penal. Diante de documentos sofisticadamente falsificados, rede social oficializando o óbito e caixão lacrado, qualquer pessoa na posição dele cairia na mesma armadilha. O erro invencível exclui tanto o dolo quanto a culpa, tornando a conduta de Pedro atípica em relação ao resultado morte. Quem responde pelo resultado gravíssimo é a própria Maria (ou José, conforme o caso), na modalidade de autocolocação em risco ou homicídio culposo por erro induzido.

Por que as outras alternativas estão incorretas?
B: O vilipêndio de cadáver exige dolo (vontade de desrespeitar o morto); Pedro agiu estritamente no cumprimento de seu dever profissional, crendo firmemente que se tratava de um cadáver real.
C e D: Pedro não teve culpa nem dolo, pois foi induzido a erro intransponível pela fraude engendrada por terceiros, faltando-lhe o elemento subjetivo e a previsibilidade objetiva exigida pelo tipo culposo.

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